O Google Ads está passando por uma das suas maiores reformulações desde a criação das campanhas inteligentes. Em 2026, a plataforma acelerou a migração de formatos legados para sistemas baseados em IA, lançou novos formatos de anúncio pensados para um ambiente de busca conversacional e entregou ferramentas que mudam como criativos são testados, orçamentos são geridos e dados são medidos. Este artigo cobre tudo que foi lançado até julho de 2026 — com contexto técnico sobre o que cada mudança implica na prática.
Principais pontos
- O AI Max saiu do beta e o DSA será descontinuado automaticamente em setembro de 2026 — contas que ainda não migraram precisam agir antes do prazo.
- O Google lançou quatro novos formatos de anúncio para AI Mode, uma superfície com mais de 1 bilhão de usuários mensais onde 92–94% das sessões terminam sem clique externo.
- Performance Max ganhou experimentos estruturados de criativos em junho de 2026, o primeiro mecanismo nativo de A/B testing dentro do tipo de campanha.
- Três mudanças em lances e orçamento foram anunciadas em junho, com impacto direto em campanhas que batem suas metas de CPA/ROAS a partir de agosto de 2026.
- Mudanças operacionais como o fim dos Call-only Ads, nova política de retenção de dados (37 meses) e a vinculação automática de canais do YouTube já estão em vigor.
AI Max sai do beta: o fim do DSA e a consolidação do Search com IA
O AI Max atingiu disponibilidade geral em abril de 2026 e, com isso, o Google anunciou a descontinuação dos Dynamic Search Ads (DSA). A partir de setembro de 2026, campanhas que ainda usam DSA, assets criados automaticamente (ACA) e correspondência ampla no nível de campanha serão migradas automaticamente para AI Max, sem possibilidade de criar novos anúncios no formato legado via Google Ads, Google Ads Editor ou API.
O que o AI Max faz de diferente do DSA: enquanto o DSA se baseava no conteúdo das landing pages para gerar anúncios dinâmicos, o AI Max combina os assets existentes da conta com sinais de intenção em tempo real para expandir o matching de queries e personalizar textos e URLs destino. O resultado segundo o Google é uma média de 7% mais conversões ou valor de conversão a CPA/ROAS similar quando os três módulos do AI Max estão ativados em conjunto: correspondência de termos, personalização de texto e expansão de URL final.
Dois pontos de atenção para quem ainda não migrou. Primeiro: a migração automática preserva as configurações legadas, mas isso não garante que a conta esteja estruturada para extrair o melhor do AI Max — brand exclusions, controles de URL e text guidelines precisam ser configurados ativamente. Segundo: o AI Max amplifica o alcance além das keywords explícitas, o que aumenta o risco de queries irrelevantes se os controles negativos não forem revisados antes da migração.
Quatro novos formatos para o AI Mode: por que isso muda a lógica do Search
No Google Marketing Live 2026, realizado em maio, o Google apresentou uma nova geração de formatos de anúncio construídos para operar dentro do AI Mode — a versão conversacional da busca. O AI Mode já registra mais de 1 bilhão de usuários mensais, e um dado estrutural muda o jogo para anunciantes: entre 92% e 94% das sessões no AI Mode terminam sem clique para um site externo. A intenção que antes chegava às landing pages é cada vez mais resolvida dentro da própria interface do Google.
Os quatro formatos lançados são:
- Conversational Discovery Ads: o Gemini gera o criativo em tempo real para cada query individual, e o anúncio aparece como parte da resposta conversacional com uma marcação "Patrocinado". Em vez de servir um banner pré-fabricado, o anúncio responde diretamente ao que o usuário perguntou.
- Highlighted Answers: anúncios elegíveis aparecem dentro de respostas no formato de lista geradas pela IA, com uma explicação independente gerada pelo modelo ao lado do criativo do anunciante.
- AI-Powered Shopping Ads: o Gemini gera um resumo personalizado do produto para cada query, destacando os atributos mais relevantes para aquele contexto específico de busca.
- Business Agent for Leads: em vez de um formulário, o usuário interage com um agente de chat baseado no Gemini treinado com o conteúdo do site do anunciante — diretamente dentro do anúncio. O formato está em beta aberto para contas em inglês nos EUA e em testes em setores como automotivo, imóveis e educação.
O acesso a esses formatos passa por AI Max e Performance Max — não são campanhas separadas. Isso reforça a lógica de que a qualidade do site, a estrutura dos assets e as brand guidelines passam a ser variáveis de performance, não apenas de identidade.
Performance Max ganha experimentos de criativos: o que muda na prática
Uma das críticas mais consistentes ao Performance Max desde seu lançamento era a ausência de mecanismos confiáveis para testar criativos. Em junho de 2026, o Google lançou os asset experiments nativos para PMax — o primeiro framework de A/B testing estruturado dentro do tipo de campanha.
O que é possível testar agora:
- Comparar grupos de assets inteiros entre si
- Medir o impacto incremental de adicionar assets individuais a um grupo já ativo
- Testar criativos sazonais versus versões evergreen
- Usar assets gerados no Asset Studio como variantes dentro do experimento
Há restrições importantes. Apenas um experimento pode rodar por campanha ao mesmo tempo. Os grupos de assets são bloqueados para edição durante o teste — nenhuma adição ou remoção é permitida até o término. Para contas com múltiplos asset groups e calendário de promoções intenso, isso exige planejamento: um teste de quatro a seis semanas por grupo, sequencialmente, consome meses de capacidade de experimentação. A decisão estratégica é priorizar os grupos com maior volume de conversão e construir um calendário de testes realista, não tentar cobrir toda a conta.
Um detalhe que impacta diretamente os experimentos: em abril de 2026, o Google implementou reprovações no nível de asset para PMax. Antes, um asset problemático podia pausar a campanha inteira. Agora, o asset individual é reprovado sem derrubar o restante. Isso é positivo para o uptime, mas cria um risco específico nos experimentos: se o asset da variante for reprovado durante o teste, os dois braços deixam de ser comparáveis.
Revisão de política em tempo real e fim dos Call-only Ads
Em abril de 2026, o Google lançou o Real-Time Policy Reviews para Responsive Search Ads: ao criar ou editar um anúncio na interface ou no Google Ads Editor, o sistema retorna feedback de aprovação em segundos, em vez de horas. O impacto mais direto é operacional — reduz atrasos causados por reprovações evitáveis e acelera o ciclo de publicação de anúncios. A cobertura deve se expandir para Performance Max e Demand Gen no segundo semestre de 2026.
Outra mudança que já está em vigor: os Call-only Ads foram descontinuados. A criação de novos anúncios nesse formato foi removida em fevereiro de 2026. Os existentes continuam servindo até fevereiro de 2027, quando param definitivamente. A substituição recomendada pelo Google é adicionar extensões de chamada (call assets) dentro de Responsive Search Ads — o que mantém a funcionalidade de geração de ligações sem o formato fixo.
Lances e orçamento: três mudanças anunciadas em junho de 2026
Em 15 de junho de 2026, o Google anunciou três atualizações em lances e gestão de orçamento com impactos diferentes para cada perfil de conta:
Promotion Mode (beta)
Permite agendar janelas temporárias em que a tolerância de ROAS e o orçamento diário sobem juntos durante picos de demanda, como lançamentos de produto, flash sales e datas sazonais. O comportamento é diferente dos Seasonality Adjustments, que indicam apenas variação esperada na taxa de conversão. O Promotion Mode está disponível em beta para campanhas de Search e Performance Max e funciona tanto com orçamentos diários quanto com orçamentos totais de campanha — formato que o Google lançou em janeiro de 2026 para Search, Shopping e PMax.
Smart Bidding Exploration expandido
O Smart Bidding Exploration, que permite ao algoritmo explorar queries com potencial de conversão além das fronteiras habituais, chegou a disponibilidade geral para Performance Max sem feeds de produtos. Para campanhas de Shopping, ainda está em beta. A lógica é que o anunciante define um nível de tolerância de ROAS, e o sistema usa essa margem para testar queries com histórico de conversão incerto.
Bidding Target Optimization (a partir de 17 de agosto de 2026)
Esta é a mudança com maior impacto imediato para contas que historicamente batem suas metas. A partir de 17 de agosto, campanhas com orçamento limitado que têm CPA ou ROAS realizado melhor que a meta configurada serão direcionadas de volta para o target declarado. O Google não ajusta as metas automaticamente — mas o comportamento do sistema muda. Contas que usavam metas conservadoras como alavanca de crescimento precisam revisar os targets antes dessa data. Uma ferramenta de ajuste (Bid Target Adjustment Tool) foi disponibilizada em 6 de julho para facilitar essa revisão.
Ask Advisor, Asset Studio e a camada agêntica
O Google Marketing Live 2026 centralizou boa parte dos anúncios em torno de uma ideia: agentes de IA operando entre plataformas. O Ask Advisor é a materialização mais concreta disso — um colaborador baseado no Gemini que conecta Google Ads, Google Analytics, Merchant Center e Google Marketing Platform em uma interface única. A proposta é que o anunciante possa fazer perguntas sobre performance, receber recomendações e tomar ações sem precisar navegar entre ferramentas diferentes.
O Asset Studio também recebeu uma atualização relevante com o Gemini Omni, o modelo multimodal lançado no Google I/O 2026. Agora é possível gerar texto, imagens e vídeo a partir de prompts em linguagem natural dentro da mesma interface — o que inclui aceitar briefings, diretrizes de marca e metas de campanha como entrada. A integração com os asset experiments de PMax, mencionada acima, permite testar diretamente os criativos gerados pelo Asset Studio.
Outra novidade da camada de IA é o AI Brief (também chamado de Text Guidelines 2.0), lançado no GML2026. Permite que o anunciante use linguagem natural para orientar como o AI Max deve representar a marca — tom, restrições de mensagem, diferenciais que devem aparecer. É uma forma de steering do modelo sem exigir configuração técnica avançada.
Mudanças operacionais que afetam medição e dados
Duas mudanças menos visíveis, mas com impacto direto em quem depende de dados históricos e rastreamento preciso:
Nova política de retenção de dados (37 meses): A partir de junho de 2026, o Google Ads aplica um limite de 37 meses para dados granulares de relatório (diário, semanal, horário) na API, em scripts e em pipelines BigQuery. Métricas de alcance e frequência têm limite ainda menor: 3 anos. O risco concreto para quem usa BigQuery: se um processo de backfill for acionado para datas anteriores a 37 meses, ele pode sobrescrever e apagar dados que já existiam na tabela. Contas que mantêm histórico longo para análises comparativas ou para clientes devem exportar e arquivar tudo que estiver fora do novo limite.
Vinculação automática de canais do YouTube: após o prazo de 10 de junho de 2026, o Google passou a vincular automaticamente canais do YouTube a contas Google Ads. A vinculação libera métricas orgânicas de vídeo dentro do Ads, permite criar segmentos de audiência com base em visualizações passadas e possibilita contabilizar ações como inscrições como eventos de conversão. Para contas com canais ativos que ainda não tinham vinculação, a mudança amplia a superfície de dados disponível para Smart Bidding.
O que conecta todas essas mudanças
Olhando o conjunto das atualizações de 2026, fica evidente uma direção consistente: o Google está transferindo cada vez mais o controle sobre estrutura e criativos para seus modelos de IA, ao mesmo tempo que amplia os pontos de entrada onde o anunciante pode influenciar o sistema. AI Max, Business Agent for Leads, AI Brief, Smart Bidding Exploration — todos partem da mesma premissa: o algoritmo decide melhor quando tem mais contexto e melhores sinais do anunciante.
A implicação prática é que trabalhar bem no Google Ads em 2026 depende menos de configurar campanhas com precisão cirúrgica e mais de alimentar o sistema com dados de qualidade: rastreamento de conversão completo, assets diversificados e relevantes, feeds de produto estruturados, metas de negócio claras. Contas com base de mensuração fraca não se beneficiam da automação — elas a amplificam na direção errada.



