Em agosto de 2026, o Google começou a testar um recurso que muitos anunciantes esperavam há anos: a possibilidade de influenciar diretamente quais canais o Performance Max prioriza. O recurso ainda está em alpha, disponível para um número limitado de contas, mas já representa uma mudança relevante na lógica de controle do PMax. Entender o que ele faz, o que ele não faz e onde ele pode falhar é o que separa uma decisão bem fundamentada de um ajuste por impulso.
Principais pontos
O Google está testando controles de priorização de canais no Performance Max, ainda em fase alpha com acesso limitado.
O mecanismo funciona ajustando a tolerância de CPA por canal, não alocando um percentual fixo de orçamento para cada canal.
Os canais disponíveis no controle são Search, Search Partners, YouTube, Display, Discover, Gmail e Maps.
CPA diretamente atribuído por canal não equivale ao valor real do canal, especialmente em jornadas multicanal com YouTube e Display na parte superior do funil.
Antes de alterar qualquer prioridade, a base de mensuração precisa estar sólida, incluindo conversões offline, atribuição baseada em dados e rastreamento de qualidade de lead.
Por que o controle de canais no PMax sempre foi limitado?
O Performance Max foi concebido com um princípio claro: o anunciante define objetivos e orçamento, o Google decide onde veicular. Desde seu lançamento como substituto das campanhas Smart Shopping e Local, em 2022, o PMax opera distribuindo o orçamento de forma automática entre Search, YouTube, Display, Discover, Gmail e Maps, priorizando os canais com maior probabilidade de conversão a cada leilão.
Esse modelo simplificou a gestão de campanhas, mas criou um problema estrutural para anunciantes mais sofisticados: a ausência de controle sobre onde o dinheiro realmente vai. Campanhas frequentemente se concentravam em Display e YouTube, canais com custo por clique mais baixo, para perseguir volume de conversão sem considerar qualidade ou intenção.
A documentação oficial do Google, ainda vigente em agosto de 2026, é direta: "Você não pode controlar diretamente a alocação de orçamento por canal." Os únicos mecanismos indiretos disponíveis eram otimização de assets, sinais de audiência, search themes e exclusões de posicionamento.
Com o crescimento do PMax, que já respondia por 45% de todas as conversões no Google Ads em 2026, a pressão por mais controle aumentou proporcionalmente. O problema se tornou especialmente visível em contas acima de US$ 100 mil por mês, onde deslocamentos de orçamento para canais de baixa intenção e sobre-indexação em audiências de remarketing passaram a comprometer resultados de negócio.
O que o Google está testando agora
Em 25 de agosto de 2026, a Search Marketing Advisor Heidi Sturrock compartilhou no LinkedIn a primeira evidência pública do novo recurso de priorização de canais no PMax. A novidade foi rapidamente coberta pelo Search Engine Land e confirmada por outros profissionais com acesso à funcionalidade.
O recurso, visível nas configurações de campanha de contas elegíveis com o rótulo ALPHA, introduz uma seção chamada Channels. Nela, o anunciante pode ajustar a prioridade de cada canal por meio de um controle com três posições: Lower, Auto e Higher.
Os canais cobertos pelo controle são:
Google Search
Search Partners
YouTube
Google Display Network
Discover
Gmail
Maps
Vale notar que existe também um controle separado chamado Partners (Alpha), testado anteriormente, que permite ativar ou desativar Search Partners e Display de forma binária. Os dois recursos são distintos: o Partners alpha é uma exclusão, enquanto o Channels alpha é um ajuste graduado de prioridade.
Como o mecanismo de priorização funciona de fato
O ponto mais importante para entender esse recurso é o que ele não é: ele não é um alocador fixo de orçamento por canal. Definir prioridade como Higher no YouTube não reserva 30% do orçamento para vídeo, assim como definir Lower no Display não o desativa.
O mecanismo opera dentro do Smart Bidding, ajustando a tolerância de CPA que o algoritmo aceita em cada canal:
Higher: relaxa o limiar de CPA para aquele canal. O sistema aceita pagar mais por conversões ali, sinalizando que o anunciante valoriza mais esse inventário.
Auto: mantém o comportamento padrão do PMax, sem preferência explícita.
Lower: aperta o limiar de CPA para aquele canal. O sistema precisa de uma eficiência maior para justificar investimento, tornando-o menos propenso a servir ali.

Na prática, o PMax continua otimizando a campanha como um todo, leilão a leilão. O que muda é o quanto cada canal precisa se justificar economicamente para receber verba. Isso é diferente de um bid adjustment tradicional: não há um percentual transparente aplicado a um lance base. A lógica opera dentro dos modelos de Smart Bidding, cujos cálculos internos não são totalmente expostos ao anunciante.
As evidências públicas até o momento mostram o controle funcionando com campanhas em tCPA. Como o comportamento em tROAS ou em estratégias sem meta explícita ainda não foi documentado pelo Google, há incerteza sobre a aplicabilidade ampla do recurso.
O risco que os dados de CPA por canal escondem
O maior perigo desse recurso não está em usá-lo incorretamente. Está em usá-lo com base no dado errado. O CPA diretamente atribuído a um canal no relatório de performance de canais do PMax é uma medida de crédito de conversão, não de valor incremental.
Considere um exemplo típico em e-commerce: um usuário descobre o produto por meio de um anúncio em vídeo no YouTube. Dois dias depois, busca ativamente no Google e converte via Search. O Search recebe o crédito da conversão. O YouTube aparece com CPA alto e poucas conversões atribuídas. Se o anunciante ajusta o YouTube para Lower com base nessa leitura, pode cortar parte da demanda que estava alimentando as conversões de Search.
A própria documentação do Google Ads alerta para isso ao tratar do relatório de canais:
Se a sua campanha usa atribuição de último clique, é possível que um canal pareça ter baixo ROI quando, na realidade, está desempenhando um papel importante na geração de conversões em outros canais.
Há três fatores que distorcem a leitura de CPA por canal:
Janela de conversão: canais como Discover e YouTube têm lag de conversão maior. Avaliar a CPA sem ajustar o período de análise subestima esses canais sistematicamente.
Conversões assistidas: modelos de último clique ou mesmo data-driven podem subavaliar canais de topo de funil.
Retorno marginal vs. retorno médio: o PMax otimiza por ROI marginal, não médio. Um canal com CPA médio mais alto pode ainda conter leilões com retorno incremental positivo.
A evolução dos controles do PMax: de onde viemos até aqui
O Channels alpha não surgiu de forma isolada. Ele é o próximo passo de uma sequência deliberada de expansão de controle e visibilidade no PMax:
Abril/Maio 2025: Google lança relatórios de performance por canal no PMax, com dados de custo e conversão separados por Search, YouTube, Display, Discover, Gmail, Maps e Search Partners.
Janeiro 2026: Google Ads API v23 adiciona relatórios de canais para PMax por programação, permitindo exportação de dados para dashboards externos.
Janeiro 2026: Google ativa exclusões de posicionamento em nível de conta, aplicáveis simultaneamente ao PMax, Demand Gen, YouTube e Display.
Março 2026: Anunciantes passam a poder excluir listas de clientes específicas do PMax, dando controle sobre campanhas focadas em aquisição.
Meados de 2026: Lançamento do Partners (Alpha), controle binário para Search Partners e Display.
Agosto 2026: Channels alpha testa ajuste graduado de prioridade por canal.
Em paralelo, o Google também alterou o comportamento de bidding com metas para campanhas com orçamento limitado a partir de 17 de agosto de 2026, tornando o sistema mais fiel às metas declaradas de tCPA e tROAS, com impacto direto na distribuição de tráfego entre canais.
Como testar o recurso sem comprometer a campanha
Se você tem acesso ao Channels alpha, a abordagem mais segura é tratá-lo como um experimento controlado, não como um painel de ajuste imediato. A lógica é a mesma de qualquer mudança em campanha com Smart Bidding: alterações mal calibradas reiniciam o aprendizado e distorcem os dados de diagnóstico.
Use o checklist abaixo antes de fazer qualquer ajuste:
Estabeleça um baseline estável: analise pelo menos quatro a seis semanas de distribuição de canais, CPA, ROAS, volume e custo antes de alterar qualquer prioridade.
Verifique a qualidade da mensuração: conversões primárias corretas, rastreamento de conversões offline ativo, atribuição baseada em dados habilitada e, para geração de leads, feedback de qualidade de lead integrado.
Entenda o papel de cada canal antes de ajustar: não avalie YouTube, Discover ou Display apenas por último clique. Use relatórios de caminho de conversão e, se disponível, dados de incrementalidade.
Altere uma variável por vez: não ajuste múltiplos canais simultaneamente. Isso torna impossível identificar qual mudança causou o novo comportamento.
Comece com ajustes pequenos: sair do Auto para um ajuste moderado é mais fácil de diagnosticar do que ir diretamente para os extremos.
Monitore a campanha como um todo: acompanhe conversões totais, CPA/ROAS agregado, custo e volume, não apenas o canal que foi ajustado.
Respeite o ciclo de aprendizado: o Google recomenda avaliar mudanças significativas ao longo de um a dois ciclos de conversão antes de tirar conclusões.
Registre cada alteração: inclua data, prioridade anterior, nova prioridade e meta de campanha no momento da mudança. O comportamento do alpha pode mudar.
Mantenha o plano de retorno ao Auto: se os resultados totais da campanha piorarem, mesmo que o canal priorizado receba mais tráfego, a decisão de steering não está funcionando.
O que isso significa para a gestão de Performance Max
O Channels alpha representa uma mudança de direção clara do Google: após entregar visibilidade (relatórios de canais em 2025), o próximo passo é dar ao anunciante capacidade de intervir no mix. Se o recurso avançar para disponibilidade geral, será o controle mais direto sobre alocação de canais desde o lançamento do PMax.
Mas o ponto mais importante não é o recurso em si. É o que ele exige do anunciante: uma mensuração capaz de separar contribuição incremental de crédito de conversão. Sem isso, o controle de priorização de canais é apenas uma forma mais rápida de tomar decisões ruins.
Quem já tem esse modelo de mensuração bem construído, com atribuição baseada em dados, importação de conversões offline e feedback de qualidade de lead integrado, tem muito mais para ganhar com esse recurso do que quem está otimizando com base apenas em dados de plataforma.
Se você gerencia campanhas PMax com orçamentos relevantes e quer estruturar a mensuração antes de testar qualquer ajuste de prioridade de canal, a Fator pode ajudar a mapear os gaps de rastreamento e definir a arquitetura de dados certa para tomar esse tipo de decisão com segurança.



