As campanhas Demand Gen são o formato visual do Google para alcançar pessoas antes que elas pesquisem pelo seu produto. Elas aparecem no YouTube, no Discover, no Gmail e, desde 2026, também no Google Maps, combinando imagens e vídeos dentro dos feeds que os usuários já consomem. Se você trabalha com geração de leads, entender como esse tipo de campanha funciona, e onde ele se encaixa na sua estratégia, faz diferença direta no custo por lead e na qualidade do pipeline.
Principais pontos
- Demand Gen substituiu os antigos Discovery Ads (2024) e absorveu as Video Action Campaigns (2025), tornando-se o principal formato visual do Google.
- Os anúncios aparecem no YouTube (feed, in-stream e Shorts), Discover, Gmail e Google Maps, alcançando mais de 3 bilhões de usuários mensais ativos.
- Para geração de leads, o canal funciona melhor como camada de meio de funil, aquecendo audiências antes que elas cheguem à busca, não como substituto do Search.
- A qualidade do criativo e a estratégia de audiência são os principais fatores de resultado, mais do que qualquer configuração de lance.
- Em 2026, o formato ganhou controles por canal, integração com Gemini para sugestões de criativos e novas ferramentas de mensuração como Campaign Type Attribution e Uplift Experiments.
O que é Demand Gen (e de onde veio)?
Demand Gen é o tipo de campanha do Google projetado para exibir anúncios visuais, imagens e vídeos, dentro dos próprios feeds do Google, em vez de sites de terceiros ou resultados de busca. A lógica é simples: o Search captura intenção que já existe. O Demand Gen cria intenção onde ela ainda não foi formada.
A linha do tempo importa porque muitos artigos ainda usam nomes antigos. Em 2024, o Google encerrou as campanhas Discovery e migrou tudo para Demand Gen, com mais formatos e controles. Em julho de 2025, as Video Action Campaigns (VAC) também foram incorporadas ao Demand Gen, que se tornou o único tipo de campanha para vídeos com foco em conversão dentro do Google Ads. Se você rodava VAC antes, agora está rodando Demand Gen.
Onde os anúncios aparecem?
O Demand Gen serve anúncios em quatro superfícies principais:
- YouTube: feed inicial, vídeos recomendados (Watch Next), in-stream e Shorts. O YouTube Shorts exige vídeos verticais (9:16) e é o placement com maior crescimento em volume de visualizações.
- Discover: feed de conteúdo no app Google e na tela inicial do Android. Alto volume de impressões, mas tráfego de baixa intenção. Taxa de conversão tende a ser menor que no YouTube.
- Gmail: abas Promoções e Social. Desde que as campanhas standalone de Gmail foram descontinuadas em 2021, o Demand Gen é o único caminho para comprar esse inventário.
- Google Maps: novidade anunciada no Google Marketing Live 2026, permite alcançar usuários explorando regiões e locais. Ainda em beta, mas relevante para negócios com presença física ou cobertura geográfica definida.
Uma mudança prática de 2025 que pouca gente nota: agora é possível selecionar em quais canais você quer aparecer, em vez de aceitar o pacote completo. Isso permite, por exemplo, restringir a entrega apenas ao YouTube enquanto você valida a campanha antes de expandir para Discover ou Gmail.
Demand Gen x Performance Max x Rede de Display
Esses três formatos aparecem misturados em muitas conversas de mídia. A diferença prática é mais simples do que parece:
| Critério | Demand Gen | Performance Max | Rede de Display (GDN) |
|---|---|---|---|
| Onde aparece | YouTube, Shorts, Discover, Gmail, Maps | Todos os canais Google (Search, Shopping, Display, YouTube, Discover, Gmail, Maps) | 35 milhões+ de sites e apps de terceiros |
| Controle do anunciante | Público, criativo e canal | Principalmente inputs: assets e sinais. Placements decididos pelo Google | Segmentação, placements e criativo |
| Melhor para | Criar demanda com formatos visuais em feeds próprios do Google | Maximizar volume de conversão para e-commerce com product feed | Alcance barato e remarketing com banners simples |
| Sensação de uso | Publicidade social dentro do ecossistema Google | Caixa preta orientada a metas | Compra de banner tradicional |
A regra geral: use Demand Gen quando quiser controle sobre quem vê uma história visual, Performance Max quando quiser volume máximo de conversão com menor visibilidade sobre o processo e GDN quando o objetivo for alcance barato ou remarketing simples com banners. Para geração de leads, Demand Gen e Performance Max não competem diretamente, eles trabalham em pontos diferentes do funil.
Quando faz sentido usar Demand Gen para geração de leads?
A resposta honesta: depende do estágio da conta e do produto. O Demand Gen funciona bem em geração de leads quando:
- O Search já está rodando com resultado consistente. O Demand Gen é uma camada de expansão, não um ponto de partida. Antes de ativar, certifique-se de que o rastreamento de conversões está correto e que o Search ou campanhas de fundo de funil já estão otimizados.
- O ciclo de decisão é longo. Em vendas B2B ou serviços de ticket alto, o comprador pesquisa durante semanas ou meses antes de preencher um formulário. O Demand Gen coloca sua marca no caminho dessa pesquisa antes de a intenção ficar explícita na busca.
- Você tem listas de primeira parte com qualidade. O Demand Gen é onde vivem os lookalike segments do Google (sucessores dos Similar Audiences, descontinuados em 2023). Quanto melhor a lista de semente, melhores os resultados da prospecção.
- A oferta tem um gatilho concreto. Eventos, webinars, lançamentos, períodos promocionais. Uma campanha Demand Gen com uma razão específica para agir, um prazo ou uma vantagem tangível, tende a performar muito melhor do que uma campanha genérica de institucional de marca.
Quando evitar por ora: se o rastreamento de conversões não está configurado corretamente, o Smart Bidding vai otimizar para ruído. Se sua equipe não tem criativo dedicado (apenas banners reaproveitados), o resultado vai decepcionar independentemente das configurações. E se o budget total de mídia ainda não sustenta um investimento diário de pelo menos R$ 500 a R$ 800 em Demand Gen durante o período de aprendizado, priorize o Search primeiro.
Estratégia de audiência: o verdadeiro painel de controle
No Demand Gen, a audiência é o ponto de controle mais importante. O creative determina o teto de performance; a audiência determina se você vai chegar perto desse teto.
- Comece por remarketing. Visitantes do site, visualizadores de vídeo, listas de leads. Audiências quentes provam que o funil funciona antes de você investir em prospecção fria. Separe ad groups por temperatura de audiência para ter clareza sobre o que está convertendo.
- Lookalike segments para prospecção. O Google exige ao menos 100 usuários na lista de semente, mas algumas centenas funcionam melhor. Escolha entre alcance estreito (2,5%), equilibrado (5%) ou amplo (10%). Para geração de leads B2B, comece estreito.
- Segmentos de intenção customizados quando as listas ainda são pequenas. Combine palavras-chave que seu público pesquisaria com URLs de concorrentes para refinar o sinal.
- Otimized targeting só depois de ter histórico de conversão. Essa opção expande além da sua audiência definida, o que pode ser útil para escalar, mas exige que o algoritmo já tenha dados suficientes para distinguir o sinal do ruído.
Criativos: o que preparar antes de ativar
O Demand Gen é um formato nativo de feed. O mesmo anúncio precisa funcionar no YouTube Shorts (vertical, 9:16), no Discover (quadrado ou paisagem) e no Gmail. Se você só tiver um banner em 16:9, o Shorts simplesmente vai ignorar ou distorcer o criativo.
Regra prática de cobertura: pelo menos 3 imagens ou vídeos em cada proporção: paisagem (1,91:1), quadrado (1:1) e vertical (4:5 para imagem, 9:16 para vídeo). O Google recomenda seguir essa "regra de três" por grupo de anúncio para maximizar o alcance entre os placements disponíveis.
Especificações mínimas de imagem:
- Paisagem (1.91:1): mínimo 600x314 px, recomendado 1200x628 px
- Quadrado (1:1): mínimo 300x300 px
- Formatos aceitos: JPG, PNG ou GIF estático, tamanho máximo de 5 MB
Para vídeos, o formato recomendado é MP4 (H.264), resolução mínima de 720p, idealmente 1080p. Para Shorts, mantenha vídeos verticais com menos de 60 segundos. Para in-stream, entre 15 e 30 segundos costumam funcionar melhor em campanhas de lead gen.
Desde meados de 2026, o Google integrou sugestões do Gemini diretamente no fluxo de criação de campanhas Demand Gen. Ao selecionar imagens e vídeos, o Gemini fornece recomendações automatizadas sobre como otimizar os criativos para YouTube antes do lançamento. Outra novidade é a criação multimodal de vídeo no Asset Studio, que permite gerar vídeos diretamente de prompts e assets de imagem existentes. Para equipes com recursos de produção limitados, isso reduz a barreira de entrada no formato de vídeo.
Lances e orçamento: o que funciona na prática
O Demand Gen oferece três estratégias de lance principais:
- Maximizar cliques: para gerar tráfego quando o volume de conversões ainda é pequeno. Use no início, enquanto a conta está aprendendo.
- Maximizar conversões / CPA desejado: a configuração padrão quando o rastreamento está correto. Exige ao menos 50 conversões nos últimos 30 dias para o algoritmo trabalhar com dados suficientes. Antes disso, o Maximize Conversions sem meta fixa é mais seguro.
- Maximizar valor de conversão / ROAS desejado: mais relevante para e-commerce. Em lead gen, só faz sentido se você estiver passando valor de conversão diferenciado por tipo de lead.
Uma dica prática na transição de estratégia: ao migrar de Maximize Conversions para tCPA, defina a meta inicial 10 a 20% acima do CPA observado durante o período de aprendizado. Metas muito agressivas fazem o algoritmo restringir a entrega para tentar bater o número, o que resulta em poucos leads a um custo artificialmente baixo, sem escala real.
Sobre orçamento: o Google recomenda orçamento diário equivalente a pelo menos 10 a 15 vezes o seu CPA esperado para que o algoritmo consiga aprender. Para a maioria das contas de lead gen no Brasil, isso significa um mínimo entre R$ 500 e R$ 1.000 por dia durante as primeiras 2 a 4 semanas. Se o budget disponível não cobre esse período de aprendizado, é mais eficiente alocar o dinheiro no Search antes de abrir o Demand Gen.
Como configurar sua primeira campanha Demand Gen
- Pré-requisitos: rastreamento de conversões funcionando no site (tag do Google ativa e eventos de conversão validados no GA4 ou via GTM), listas de remarketing com pelo menos 100 usuários, criativos prontos em pelo menos duas proporções.
- Criação da campanha: no Google Ads, selecione "Demand Gen" como tipo de campanha. Defina o objetivo como "Leads" ou "Tráfego para o site" dependendo da maturidade do rastreamento.
- Configurações de campanha: escolha a estratégia de lance (Maximize Conversions para começar), defina o orçamento diário e configure a segmentação geográfica e de idioma.
- Seleção de canais: na versão atual, você pode limitar os placements. Para geração de leads, comece com YouTube e Discover. Adicione Gmail e Maps depois, quando tiver dados de performance por canal para justificar a expansão.
- Configuração de audiências: crie grupos separados por temperatura de público. Um ad group para remarketing, outro para lookalike, outro para segmentos de intenção customizados. Isso dá clareza na análise de performance.
- Upload de criativos: siga a regra de três: pelo menos 3 assets em cada proporção. Adicione 5 títulos e 5 descrições testando ângulos diferentes. Defina a URL de destino e o CTA.
- Revisão e ativação: revise a prévia dos anúncios nos diferentes placements antes de publicar. Verifique se o criativo faz sentido em cada superfície, especialmente no Shorts.
Como medir Demand Gen sem distorcer o resultado
Avaliar Demand Gen apenas pelo last-click vai matar a campanha antes de ela demonstrar valor. A lógica do canal é diferente: o usuário vê um anúncio no YouTube, não clica, pesquisa a marca dois dias depois e converte pelo Search. Nesse cenário, o crédito vai todo para a campanha de brand, e o Demand Gen aparece como despesa sem resultado.
O que monitorar além do last-click:
- Engaged-view conversions: conversões atribuídas a visualizações de vídeo engajadas, mesmo sem clique. Relevante especialmente para formatos de YouTube.
- Volume de busca por marca: acompanhe no Google Trends ou no Search Console se o branded search cresceu nos períodos em que o Demand Gen esteve ativo.
- Tráfego direto e new users no GA4: um aumento no tráfego direto e em novos usuários durante o período de veiculação é sinal de que o canal está gerando awareness real.
- Campaign Type Attribution: ferramenta lançada no Google Marketing Live 2026 que isola todas as conversões atribuídas ao Demand Gen, permitindo uma comparação mais limpa de performance entre tipos de campanha e canais pagos.
- Uplift Experiments: testes de incrementalidade que medem o quanto o Demand Gen complementa o Performance Max ou outras campanhas ativas. Isso responde à pergunta correta: "esse canal está gerando conversões que não aconteceriam de outra forma?"
O benchmark correto para Demand Gen em geração de leads não é o CPA do Search. É o custo por lead qualificado quando se considera a atribuição assistida, comparado com canais alternativos como LinkedIn Ads ou Meta que operam na mesma etapa do funil.
Erros comuns que comprometem os resultados
- Julgar pelo last-click e encerrar na segunda semana. O algoritmo de Smart Bidding precisa de tempo e volume para aprender. Decisões antes de 4 semanas ou 50 conversões são estatisticamente frágeis.
- Sem criativo vertical, sem Shorts. Um único banner em paisagem resulta em ausência total ou distorção nos placements de Shorts, que são parte relevante do inventário.
- Prospecção fria antes de validar o remarketing. Se a campanha não converte para audiências quentes, o problema está no funil ou no criativo, e jogar dinheiro em lookalike não resolve.
- Lançar sem rastreamento de conversão configurado. O Smart Bidding sem sinal de conversão otimiza para métricas de engajamento que não têm correlação garantida com leads.
- Meta de CPA agressiva logo no início. Isso restringe a entrega e prolonga o período de aprendizado. Comece sem meta ou com meta mais folgada e aperte conforme a conta aprende.
- Nunca atualizar o criativo. Demand Gen tem fadiga de criativo. Sem rotação, CTR cai, CPA sobe, e a culpa vai para o formato quando na verdade é o criativo que esgotou.
- Misturar todos os públicos no mesmo ad group. Remarketing e prospecção fria no mesmo conjunto tornam impossível saber o que está funcionando.
Novidades relevantes de 2026
O Google lançou em setembro de 2025 os "Demand Gen Drops", uma série mensal de atualizações dedicadas ao formato. Desde então, o ritmo de mudanças acelerou. Os lançamentos mais relevantes para quem trabalha com geração de leads:
- Google Maps como placement: anunciado no Google Marketing Live em maio de 2026, conecta anúncios a usuários que exploram regiões específicas. Relevante para negócios com cobertura geográfica definida ou eventos presenciais.
- Gemini no fluxo de criação: sugestões automatizadas de otimização de criativos antes do lançamento e criação de vídeos a partir de imagens via Asset Studio.
- Campaign Type Attribution e Uplift Experiments: ferramentas de mensuração que permitem avaliar a contribuição incremental do Demand Gen de forma mais precisa, isolando o efeito do canal sobre as conversões.
- Redimensionamento automático de vídeo: a partir de meados de 2026, o Google passou a transformar automaticamente criativos entre proporções adicionais (vertical para quadrado, vertical para paisagem), reduzindo a necessidade de produção separada por formato.
- Migração da Rede de Display para Demand Gen: em junho de 2026, o Google anunciou que os anúncios da Google Display Network estão sendo migrados para o Demand Gen. Campanhas de Display existentes começaram a ser migradas voluntariamente a partir de junho, com migração automática prevista para as demais.
Demand Gen na prática: o que esperar em uma conta de lead gen
A performance do Demand Gen em geração de leads varia muito dependendo do produto, do ciclo de compra e da qualidade do criativo. Contas com ofertas visuais e gatilhos concretos (eventos, webinars, consultorias gratuitas com prazo) tendem a gerar leads a custos competitivos quando comparadas com Search genérico. Contas que rodam Demand Gen como extensão de uma mensagem institucional sem diferencial claro costumam ver budget consumido com engajamento superficial e baixa conversão em lead qualificado.
A pergunta que define se vale testar o canal: seu produto ou oferta consegue parar o scroll de alguém que não estava procurando por você? Se a resposta for sim, o Demand Gen tem potencial de performar. Se a resposta for não, ou se a oferta depende de contexto de busca para fazer sentido, o Search vai continuar sendo o canal de maior ROI. As duas abordagens não se excluem: Search captura quem já quer, Demand Gen aquece quem ainda não sabe que vai querer.



